Rodoanel Mário Covas: a história do anel viário que São Paulo levou décadas para fechar
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No mapa da Grande São Paulo, um círculo quase completo envolve a capital. Esse desenho levou quase três décadas para sair do papel e virar pista. A história do Rodoanel Mário Covas (SP-021), cujas obras começaram em 1998, é também a história de como o transporte de carga aprendeu a contornar a maior metrópole do país em vez de atravessá-la.
A ideia: tirar o caminhão de passagem da cidade#
Antes do anel, o caminhão que vinha do interior pela Anhanguera ou pela Bandeirantes e seguia para o Porto de Santos, para o Sul do país ou para o Rio de Janeiro tinha de cruzar a capital, em geral pelas marginais do Tietê e do Pinheiros. Veículos de passagem disputavam espaço com o trânsito urbano, e cada hora parada encarecia o frete.
O Rodoanel foi pensado como esse desvio: um anel de cerca de 176 km ligando as rodovias que partem da capital em todas as direções. O nome homenageia o ex-governador Mário Covas, morto em 2001.
Oeste (2002): o primeiro arco#
O primeiro trecho, o Oeste, foi inaugurado em 11 de outubro de 2002, com cerca de 32 km. Ele conectou Anhanguera, Bandeirantes, Castello Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt, e passou a permitir que a carga vinda do interior seguisse para o Sul do país sem entrar na cidade. Para quem ia ao porto, porém, a travessia urbana continuava: faltava o arco que chegasse às rodovias da Serra do Mar.
Sul (2010): o caminho do porto#
Esse arco veio com o trecho Sul, entregue no fim de março de 2010 e aberto ao tráfego em 1º de abril daquele ano, com cerca de 57 km entre a Régis Bittencourt e Mauá. Ao se ligar à Imigrantes e à Anchieta, ele criou uma rota contínua entre o interior e o Porto de Santos, pelo Oeste e pelo Sul, sem passar pelas marginais. Para o comércio exterior paulista, foi uma virada: para quem vinha do interior, o acesso rodoviário ao principal porto do país deixou de depender do trânsito da capital.
Leste (2014 e 2015): ABC, Alto Tietê e a Dutra#
O trecho Leste, com cerca de 43,5 km, foi construído pela concessionária SPMAR, que administra também o trecho Sul. Abriu em duas etapas: de Mauá à Rodovia Ayrton Senna em julho de 2014, e até a Via Dutra em junho de 2015. Passando por Mauá, Ribeirão Pires, Suzano, Poá, Itaquaquecetuba e Arujá, ele ligou o porto ao eixo Rio–São Paulo e aproximou das cargas o Aeroporto de Guarulhos, servido pela Ayrton Senna e pela Dutra.
Nos primeiros meses, o fluxo ficou cerca de 42% abaixo do previsto, segundo levantamento do setor de transporte de cargas. Parte da explicação estava fora da pista: as cidades do entorno tinham poucos acessos ao anel, e chegar até ele era mais difícil do que percorrê-lo.
Norte: a etapa que mais demorou#
O fechamento do anel ficou para o trecho Norte, que atravessa áreas da Serra da Cantareira. As obras pararam em 2018 e só voltaram a andar depois de 2023, quando a concessão foi assumida pelo grupo Via Appia, com compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões. O primeiro segmento, de 24 km entre a Dutra e a Fernão Dias, com 70 pontes e viadutos e quatro túneis, entrou em operação em 23 de dezembro de 2025. A estimativa é que ele tire mais de 10 mil caminhões por dia de dentro da capital.
O segmento final, entre a Fernão Dias e a região da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, estava com 68% das obras em junho de 2026, e a última previsão divulgada era de entrega no segundo semestre de 2026. Quando ficar pronto, o círculo estará completo, mais de duas décadas depois da abertura do primeiro trecho.
Melhorias que ainda chegam aos trechos abertos#
A história do Rodoanel não termina com o fechamento do anel. Trechos abertos há mais de uma década ainda recebem novas conexões, e é nelas que parte do ganho logístico se completa. No trecho Leste, o Complexo Viário do Alto Tietê, em obras desde novembro de 2025, vai criar uma nova porta de entrada: duas alças ligando a Rodovia Henrique Eroles (SP-066) ao Rodoanel e um novo acesso, com dois viadutos, pela Avenida Brasil, em Suzano. Com conclusão prevista para o fim de 2027, a obra ataca justamente o problema que marcou os primeiros anos do Leste: a dificuldade de chegar até ele.
Tira-dúvidas#
Quando começaram as obras do Rodoanel?
As obras começaram em 1998, e o primeiro trecho, o Oeste, foi inaugurado em outubro de 2002. O trecho Sul foi aberto em 2010, e o Leste, em duas etapas, entre 2014 e 2015.
Por que o trecho Norte demorou tanto?
As obras ficaram paradas de 2018 a 2023, até a concessão ser assumida por um novo grupo. O primeiro segmento, entre a Dutra e a Fernão Dias, só entrou em operação em dezembro de 2025.
Qual é a extensão total do Rodoanel?
Com os quatro trechos concluídos, o anel terá cerca de 176 km em volta da capital paulista, ligando as principais rodovias que chegam a São Paulo.
Última revisão: 2026. Eroles.